Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 22/fev/26.
Disponível em https://medium.com/p/011945cae491
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Acidentes ofídicos são comuns em todo o mundo, e no Brasil, não é diferente, sobretudo no período entre novembro e abril, quando o maior volume de chuvas se associa ao aumento das temperaturas, o que favorece a atividade das serpentes e amplia o risco de contato com a população.
Estima-se que ocorram, todos os anos, mais de 5 milhões de picadas de cobras no mundo, das quais cerca de 2,7 milhões são causadas por espécies peçonhentas, podendo levar a envenenamento grave e até à morte. Não por acaso, em 2017 a Organização Mundial da Saúde classificou os acidentes ofídicos como uma das doenças tropicais negligenciadas de maior prioridade.
Para que o atendimento de emergência seja assertivo, reconhecer o espécime envolvido é importante, mas nem sempre é possível observar as características do animal ou mesmo fotografá-lo. Por isso, saber os sinais e sintomas envolvidos para cada tipo de acidente é importante e decisivo.
No Brasil, os acidentes por serpentes de maior importância médica são divididos em quatro tipos. Cada um apresenta características clínicas próprias, o que permite direcionar o uso do soro específico. Enteda mais abaixo.
Acidente botrópico (jararaca)
É o tipo mais frequente no país. A principal característica é a reação local intensa.
Principais sinais:
Dor imediata e forte
Inchaço progressivo
Manchas roxas e sangramentos no local
Bolhas e, em casos graves, necrose
Manifestações sistêmicas:
Sangramentos em gengivas, pele ou urina
Queda da pressão arterial
Risco de insuficiência renal
O que chama atenção: muito inchaço e sangramento.
Jararaca. Imagem: RafaelMenegucci, CC BY-SA 4.0
Acidente laquético (surucucu)
Pode ser semelhante ao botrópico no local da picada, mas apresenta sinais sistêmicos característicos.
Principais sinais:
Dor e edema importantes
Sangramentos locais
Diferença principal:
Náuseas e vômitos
Cólicas abdominais e diarreia
Sudorese intensa
Queda da pressão e, nos casos graves, choque
O que chama atenção: quadro local intenso associado a sintomas gastrointestinais e vagais.
Surucucu. Imagem: Salomão Janderson Ferreira Bispo, CC BY 4.0
Acidente crotálico (cascavel)
Ao contrário dos anteriores, apresenta pouca alteração no local, mas manifestações sistêmicas importantes.
Sinais locais:
Dor e inchaço discretos
Formigamento
Manifestações sistêmicas:
Visão turva ou dupla
Pálpebras caídas
Fraqueza muscular progressiva
Dores no corpo
Urina escura (cor de “coca-cola”)
Risco de insuficiência renal
O que chama atenção: pouco inchaço e sinais neurológicos ou musculares.
Cascavel. Imagem: José Reynaldo da Fonseca, CC BY-SA 3.0
Acidente elapídico (coral verdadeira)
É o tipo mais silencioso no início, mas com risco elevado de gravidade.
Sinais locais:
Dor leve ou ausente
Pouco ou nenhum inchaço
Manifestações sistêmicas:
Fraqueza muscular
Dificuldade para manter os olhos abertos
Alterações na fala ou deglutição
Evolução para paralisia e comprometimento respiratório
O que chama atenção: quase sem sinais no local, mas com paralisia progressiva.
Coral verdadeira. Imagem: Ricardo Marques, CC BY 2.0
Diante de uma picada de cobra, o mais importante é procurar atendimento médico imediatamente. Não se deve fazer torniquetes, cortes, sucção do veneno ou tentar capturar o animal.
Com o aumento dos casos nos meses quentes e chuvosos, a orientação da população e o reconhecimento precoce dos sinais de gravidade são medidas essenciais. Em acidentes ofídicos, a rapidez no atendimento e a escolha correta do soro podem fazer a diferença entre a recuperação e a ocorrência de complicações graves.
Neste link é possível obter uma lista com todos os hospitais de referência do estado de São Paulo para atendimento de casos de acidentes com animais peçonhentos [https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/unidades-de-referencia/peconhentos_unidades.pdf]. Atualizada em fevereiro de 2022.
Para outros estados, consultar relação disponível no site do Ministério da Saúde, em https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animais-peconhentos/acidentes-por-aranhas-1 (atualizado em 2021).
Referências:
PASSOS, Rômulo; SILVA, Dimas do Nascimento; FREITAS, Stephanie de Abreu; JORDAN, Caíque; PIMENTA, Cláudia Jeane Lopes (coords.). Tratado de enfermagem para concursos e residências. v. 4. João Pessoa: Brasileiro & Passos; Rômulo Passos, 2021.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE — WHO. Snakebite envenoming: an interactive data platform to support the 2030 targets. 19 set. 2021. Disponível em: https://www.who.int/news/item/19-09-2021-snakebite-envenoming-an-interactive-data-platform-to-support-the-2030-targets. Acesso em: 22 fev. 2026.
*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.