Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 22/dez/25.
Disponível em https://medium.com/p/2b5862e66e83
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Em unidades de internação, onde os pacientes não permanecem sob monitorização contínua, a identificação precoce da deterioração clínica é um dos maiores desafios da enfermagem. Muitas vezes, alterações sutis dos sinais vitais antecedem eventos graves, como insuficiência respiratória, choque ou parada cardiorrespiratória.
Nesse cenário, o NEWS (National Early Warning Score) se consolida como uma das ferramentas mais importantes para a segurança do paciente, auxiliando o enfermeiro a reconhecer riscos, organizar prioridades e acionar intervenções no momento certo.
O NEWS foi desenvolvido pelo Royal College of Physicians (RCP), no Reino Unido, com o objetivo de padronizar a avaliação da gravidade clínica de pacientes adultos hospitalizados.
Antes da sua criação, cada serviço utilizava critérios próprios para definir gravidade, o que gerava falhas de comunicação, atrasos na resposta clínica e aumento de eventos adversos. Em 2012, o NEWS foi lançado oficialmente e, posteriormente, em 2017, atualizado para o NEWS2, incorporando ajustes importantes, especialmente para pacientes com insuficiência respiratória crônica, como aqueles com DPOC.
Atualmente, o NEWS2 é considerado padrão ouro internacional para a detecção precoce de deterioração clínica em enfermarias.
Diferente da UTI, a enfermaria depende principalmente:
Da avaliação periódica dos sinais vitais;
Do olhar clínico da enfermagem;
Da capacidade de antecipar problemas.
O NEWS transforma sinais vitais isolados em um escore objetivo, permitindo:
Acompanhar a evolução clínica ao longo do tempo;
Identificar tendências de piora;
Padronizar a comunicação com a equipe médica;
Reduzir atrasos na tomada de decisão;
Prevenir desfechos ruins, como internação não planejada em UTI ou parada cardiorrespiratória.
Mais do que uma pontuação, o NEWS organiza o cuidado e fortalece o papel do enfermeiro como protagonista da vigilância clínica.
O NEWS (National Early Warning Score) baseia-se na avaliação sistematizada de sinais vitais e do nível de consciência, permitindo identificar precocemente a deterioração clínica do paciente.
A escala avalia sete componentes, sendo seis parâmetros fisiológicos, além de um modificador relacionado ao uso de oxigênio suplementar.
Parâmetros avaliados pelo NEWS
Frequência respiratória (FR)
Saturação periférica de oxigênio (SpO₂)
Uso de oxigênio suplementar (ar ambiente ou O₂ suplementar)
Pressão arterial sistólica (PAS)
Frequência cardíaca (FC)
Temperatura corporal
Nível de consciência (AVDI: Alerta, resposta à Voz, Dor ou Inconsciente, incluindo nova confusão)
Cada parâmetro recebe uma pontuação de 0 a 3, conforme o grau de desvio em relação aos valores considerados normais. O uso de oxigênio suplementar acrescenta 2 pontos adicionais ao escore total.
A soma desses valores resulta no NEWS total, que orienta a frequência de monitorização, as condutas de enfermagem e a necessidade de acionamento médico.
Adaptação transcultural do NEWS2 para o português do Brasil.
🟢 NEWS 1–4 → Baixo risco
Conduta de enfermagem:
Manter cuidados de rotina
Reavaliar sinais vitais conforme protocolo institucional (geralmente a cada 4–6 horas)
Observar tendências e mudanças clínicas
🟡 NEWS 5–6 ou 3 isolado → Risco moderado
Conduta de enfermagem:
Intensificar a vigilância clínica
Reavaliar sinais vitais com maior frequência (ex.: a cada 1 hora)
Comunicar a equipe médica
Registrar evolução e resposta às intervenções
⚠ Um 3 isolado em qualquer parâmetro já indica risco significativo e não deve ser ignorado.
🔴 NEWS ≥ 7 → Alto risco
Conduta de enfermagem:
Acionamento imediato da equipe médica
Avaliação clínica urgente
Monitorização contínua
Preparar possível transferência para unidade crítica
Registrar ações, horários e respostas do paciente
Esse escore está associado a maior risco de eventos graves e mortalidade, exigindo resposta rápida e organizada.
Adaptação transcultural do NEWS2 para o português do Brasil.
O NEWS não substitui o raciocínio clínico, mas o fortalece. Cabe ao enfermeiro:
Garantir mensuração correta dos sinais vitais;
Aplicar o escore de forma sistematizada;
Avaliar tendências, não apenas valores isolados;
Comunicar riscos de forma clara e objetiva;
Atuar precocemente, antes da instabilidade grave.
A implementação do NEWS na rotina da enfermaria representa um avanço importante na qualidade assistencial e na segurança do paciente. Ferramentas simples, quando bem utilizadas, têm alto impacto.
O sucesso do NEWS depende menos da tecnologia e mais da cultura de vigilância clínica, do compromisso da equipe de enfermagem e da resposta adequada aos sinais de alerta. Afinal, cuidar bem também é saber agir antes da emergência acontecer.
Quando bem aplicado, o NEWS empodera a enfermagem, melhora a comunicação multiprofissional e contribui diretamente para a redução de eventos adversos evitáveis.
*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.