Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 18/jul/26.
Disponível em https://medium.com/p/60f18a8924db
Tempo de leitura: 6 min.
A gravidez é, na maioria das vezes, uma experiência saudável. Mas algumas complicações podem surgir ao longo da gestação e evoluir rapidamente, colocando em risco a vida da mulher e do bebê.
Entre essas condições estão a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia. Embora os nomes possam parecer semelhantes, existe uma diferença importante: a pré-eclâmpsia pode causar alterações graves no organismo da gestante; a eclâmpsia ocorre quando esse quadro evolui para convulsões.
Reconhecer os sinais de alerta pode fazer diferença entre procurar atendimento a tempo e enfrentar uma emergência potencialmente fatal.
Os distúrbios hipertensivos da gestação estão entre as principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no Brasil. O Ministério da Saúde considera a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia condições de grande impacto e potencialmente evitáveis quando há diagnóstico e tratamento oportunos.
As estimativas de ocorrência variam conforme a população estudada e a metodologia utilizada. Materiais do Ministério da Saúde estimam que as condições hipertensivas da gestação possam atingir cerca de 15% das gestantes. Já uma revisão sistemática brasileira citada em documento técnico da Conitec estimou incidência de aproximadamente 1,5% para pré-eclâmpsia e 0,6% para eclâmpsia, com a ressalva de que esses números podem estar subestimados e variam significativamente entre as regiões do país.
A diferença entre essas estimativas não significa necessariamente que uma esteja “errada”. Ela reflete, em parte, o fato de que os estudos podem analisar diferentes condições hipertensivas, populações e critérios diagnósticos.
O que os números deixam claro é que a hipertensão durante a gravidez representa um importante problema de saúde pública.
Em serviços especializados de alto risco obstétrico, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que a mortalidade materna associada às síndromes hipertensivas pode chegar a 170 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. A pré-eclâmpsia também está associada a aproximadamente 25% dos partos prematuros.
Pré-eclâmpsia: muito além da pressão alta
A pré-eclâmpsia é uma complicação da gestação geralmente caracterizada pelo surgimento de hipertensão arterial após a 20ª semana de gravidez, associada a sinais de comprometimento de órgãos ou outras alterações clínicas e laboratoriais.
A doença pode comprometer:
cérebro;
rins;
fígado;
pulmões;
sistema cardiovascular.
A pré-eclâmpsia também pode surgir no período após o parto. Portanto, o nascimento do bebê não significa que o risco desapareceu imediatamente.
Em alguns casos, a mulher apresenta sintomas evidentes. Em outros, a doença pode evoluir silenciosamente e ser identificada durante uma consulta de pré-natal ou após a realização de exames.
É por isso que o acompanhamento regular durante a gravidez é tão importante.
Pressão alta na gravidez: quais valores exigem atenção?
De forma geral, considera-se hipertensão arterial na gestação uma pressão arterial sistólica de 140 mmHg ou mais e/ou pressão diastólica de 90 mmHg ou mais.
Já valores de 160/110 mmHg ou mais indicam hipertensão grave e exigem avaliação médica imediata.
Mas existe um ponto importante: não é necessário esperar a pressão chegar a 160/110 mmHg para procurar atendimento quando existem sintomas de alerta.
Uma gestante com dor de cabeça intensa, alterações visuais, dor forte na parte superior do abdome ou falta de ar, por exemplo, precisa ser avaliada mesmo que não tenha conseguido medir a pressão.
Dor de cabeça na gravidez: quando é um sinal de alerta?
A dor de cabeça pode ocorrer por diversas razões e nem sempre indica uma complicação.
Entretanto, uma dor:
intensa;
persistente;
diferente do padrão habitual;
que não melhora;
acompanhada de alterações visuais ou confusão mental;
deve ser investigada.
Em uma gestante ou puérpera, não é seguro atribuir automaticamente uma dor de cabeça intensa ao cansaço, ao estresse ou à falta de sono, já que, quando relacionada à pré-eclâmpsia, a dor pode indicar comprometimento neurológico.
Além disso, alterações visuais repentinas (como visão embaçada ou duplicada, pontos luminos, flashs ou manchas escuras no campo visual ou perda parcial ou temporária da visão), dor abdminal superior aguda e persistente (especialmente do lado direito, logo abaixo das costelas) e inchaço repentino e localizado no rosto e nas mãos são sinais de alerta que merecem total atenção.
O que é eclâmpsia?
A eclâmpsia é uma das complicações mais graves associadas aos distúrbios hipertensivos da gestação.
Ela é caracterizada pela ocorrência de convulsões em uma gestante ou puérpera associadas ao quadro hipertensivo da gestação, sem que outra causa explique melhor o episódio.
A convulsão pode ocorrer:
durante a gravidez;
durante o trabalho de parto;
após o parto.
A mulher pode apresentar perda de consciência, enrijecimento do corpo e movimentos involuntários.
É importante destacar que a convulsão pode ocorrer mesmo quando os sinais de alerta anteriores não foram claramente percebidos.
Por isso, uma convulsão durante a gravidez ou no período pós-parto deve sempre ser tratada como uma emergência médica.
O que fazer se uma gestante apresentar uma convulsão?
A primeira atitude é acionar imediatamente o serviço de emergência.
Enquanto aguarda ajuda:
Proteja a cabeça
Coloque algo macio sob a cabeça da mulher, se possível.
Afaste objetos perigosos
Retire móveis e objetos próximos que possam causar ferimentos.
Não tente conter os movimentos
Não segure braços e pernas à força. Isso pode provocar lesões.
Não coloque nada na boca
Não coloque dedos, colheres, panos ou qualquer outro objeto entre os dentes. A pessoa não vai “engolir a língua”. Colocar objetos na boca pode causar ferimentos e obstrução das vias aéreas.
Após a convulsão, coloque a mulher de lado
Quando os movimentos cessarem, coloque-a de lado, se possível, e observe sua respiração. Essa posição pode ajudar a reduzir o risco de aspiração de secreções ou vômitos.
Observe quanto tempo durou a crise
Informar a duração da convulsão aos profissionais de saúde pode ajudar na avaliação. Mesmo que a mulher pareça ter se recuperado, ela precisa de atendimento médico imediato.
Quando procurar atendimento imediatamente?
A gestante ou puérpera deve procurar atendimento de urgência diante de:
pressão arterial de 160/110 mmHg ou mais;
dor de cabeça intensa ou persistente;
alterações na visão;
dor forte na parte superior do abdome;
falta de ar;
confusão mental;
convulsão;
perda de consciência;
inchaço intenso e repentino no rosto ou nas mãos.
Em caso de convulsão, perda de consciência ou dificuldade importante para respirar, a situação deve ser tratada como uma emergência.
Gestantes com pressão arterial pressão arterial de 160/110 mmHg ou mais devem procurar atendimento médico imediatamente. Imagem: ChatGPT
A pré-eclâmpsia também pode aparecer depois do parto
Muitas pessoas acreditam que os riscos relacionados à pressão alta desaparecem assim que o bebê nasce.
Isso não é verdade.
A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia podem ocorrer no período pós-parto. O Ministério da Saúde destaca que a condição pode surgir até semanas após o nascimento do bebê.
Por isso, uma mulher que acabou de dar à luz deve procurar atendimento se apresentar os sintomas citados anteriormente.
Quem apresenta maior risco?
Algumas condições aumentam o risco de pré-eclâmpsia, entre elas:
hipertensão arterial crônica;
diabetes;
doença renal;
obesidade;
lúpus;
trombofilias;
gestação de gêmeos ou múltipla;
histórico pessoal de pré-eclâmpsia;
histórico familiar da doença;
primeira gestação;
idade materna avançada ou adolescência.
A presença de um fator de risco não significa que a mulher necessariamente desenvolverá a doença, assim como a ausência desses fatores não elimina completamente o risco.
O pré-natal pode fazer diferença
A pré-eclâmpsia nem sempre pode ser evitada, mas o acompanhamento pré-natal permite identificar alterações precocemente.
Durante as consultas, a equipe de saúde acompanha:
pressão arterial;
sintomas;
exames de sangue;
função renal;
função hepática;
presença de proteínas na urina;
crescimento e bem-estar do bebê.
O Ministério da Saúde destaca que os distúrbios hipertensivos da gestação estão entre as principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no país. Por isso, a identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais.
O principal sinal de alerta é perceber quando algo mudou
Nem toda dor de cabeça significa pré-eclâmpsia.
Nem todo inchaço indica uma complicação.
Mas uma dor de cabeça intensa e persistente, alterações repentinas na visão, uma pressão arterial muito elevada, falta de ar ou uma convulsão durante a gravidez ou após o parto não devem ser ignorados.
A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente. A eclâmpsia é uma emergência.
Reconhecer os sinais, procurar atendimento rapidamente e saber como agir diante de uma convulsão pode salvar a vida da mãe e reduzir os riscos para o bebê.
Em caso de sintomas de alerta, procure atendimento médico. Diante de uma emergência, acione o serviço de emergência da sua região.
Vídeo resumo
*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.