Texto originalmente publicado por Carlos Felipe dos Santos em 12/jan/25.
Disponível em https://medium.com/p/5a735c7b30eb
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Atualizado em 02/07/2026
De tempos em tempos, vemos nos noticiários brasileiros reportagens sobre mortes de pessoas por sepse ou “infecção generalizada” — este último termo já em desuso.
Silenciosa e devastadora, a síndrome permanece como uma das principais causas de morte evitáveis no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são cerca de 11 milhões de óbitos por ano e, ao contrário de países como os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, que conseguiram reduzir essa taxa, o Brasil segue estagnado, tendo cerca de 55% de letalidade nos casos diagnosticados, sendo seu impacto agravado, na maioria das vezes, pelo atraso no reconhecimento e no manejo inadequado.
Sepse é a causa número um de morte evitável de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Imagem: Ger Altmann/Pixabay.
Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS);
sepse;
sepse grave;
choque séptico.
Desde 2016, porém, o termo “sepse grave” deixou de ser utilizado nas definições mais atuais, pois a sepse já pressupõe disfunção orgânica. Assim, os termos SRIS, sepse e choque séptico permanecem importantes para compreender a evolução clínica do paciente, e os parâmetros para rápida identificação foram aprimorados.
Atualmente, a sepse é definida como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do organismo diante de uma infecção.
Em outras palavras: o problema não está apenas no microrganismo causador da infecção, mas também na forma como o corpo responde a ele.
Por isso, antes de aprofundar os conceitos técnicos, é importante reconhecer quais sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo de forma grave.
Sepse é a causa número um de morte evitável de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Imagem: Ger Altmann/Pixabay.
Além da avaliação clínica, alguns protocolos utilizam ferramentas para auxiliar na identificação de pacientes com maior risco de pior evolução. Uma dessas ferramentas é o qSOFA, ou quick SOFA.
O qSOFA avalia três critérios principais:
alteração do nível de consciência;
frequência respiratória maior ou igual a 22 incursões por minuto;
pressão arterial sistólica menor ou igual a 100 mmHg.
A presença de dois ou mais critérios sugere maior risco de desfecho desfavorável e deve aumentar a atenção da equipe assistencial. No entanto, o qSOFA não substitui a avaliação clínica, os protocolos institucionais, os exames laboratoriais e a análise completa do paciente. Ele deve ser entendido como uma ferramenta auxiliar, e não como critério único para afastar ou confirmar sepse.
Em resumo: uma infecção que começa no pulmão provoca uma resposta do sistema imunológico. Logo, se o sistema imunológico não dá conta ou perde o controle, há uma síndrome da resposta inflamatória sistêmica, envolvendo, portanto, outros órgãos. Se essa resposta provoca uma disfunção orgânica, trazendo graves consequências ao paciente, temos sepse, o que pode implicar em reposição volêmica, antibiótico precoce, controle do foco infeccioso e monitorização rigorosa. Se a reposição volêmica não surtir efeito e o paciente mantiver hipotensão ou má perfusão, pode haver evolução para choque séptico.
Sepse é quadro grave e pdoe exigir reposição volêmica e uso de drogas vasoativas para restabelecer parâmetros hemodinâmicos. Imagem: Furkan Ince/Pexels.
Diversos fatores contribuem para as altas taxas de mortalidade por sepse no Brasil. Entre eles estão a insuficiência de leitos de UTI, a deficiência em treinamentos de equipes de saúde para o reconhecimento precoce da condição e a subutilização de protocolos padronizados, como a Campanha de Sobrevivência à Sepse, instituída pelo Instituto Latino Americano de Sepse. Além disso, a falta de infraestrutura em regiões remotas dificulta o acesso a cuidados de saúde de qualidade.
Outro ponto importante é que muitos quadros de sepse começam com sintomas aparentemente inespecíficos, como febre, fraqueza, sonolência, respiração acelerada, queda do estado geral e alteração da pressão. Quando esses sinais são subestimados, a identificação pode ocorrer tarde, reduzindo as chances de resposta adequada ao tratamento.
Por isso, falar sobre sepse não deve ser uma preocupação apenas de profissionais da saúde. A população também precisa reconhecer que uma infecção pode se tornar grave rapidamente, especialmente quando há piora do estado geral.
Treinamento e capacitação: promover a educação continuada para o reconhecimento precoce da sepse.
Implementação de protocolos: garantir o uso de protocolos baseados em evidências, como a triagem com o uso do quick SOFA, associada à avaliação clínica, exames laboratoriais, identificação de disfunção orgânica, coleta de culturas quando indicada, administração precoce de antibióticos, reposição volêmica quando necessária e reavaliação contínua da resposta ao tratamento.
Investimento em infraestrutura: ampliar o número de leitos de UTI e melhorar o acesso a exames diagnósticos.
Campanhas de conscientização: informar a população sobre os sinais de alerta da sepse e a importância da procura imediata por atendimento médico.
Cultura de segurança: estimular que alterações clínicas sejam valorizadas precocemente, que protocolos institucionais sejam acionados diante da suspeita e que a comunicação entre os membros da equipe seja clara, objetiva e rápida.
Se você é profissional da saúde e deseja aprofundar seus conhecimentos acerca deste tema, baixe o e-book "Sepse: um problema de saúde pública - a atuação e colaboração da Enfermagem na rápida identificação e tratamento da doença", disponível no site do Instituto Latino Americano de Sepse.
*Esse texto foi gerado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e contou com revisão humana.